Malta amiga
O tempo é pouco e aquele que me sobra tem sido empenhado na nobre tarefa de dormir. Se julgam que isso faz de mim uma pessoa melhor ou mais tranquila, desenganem-se. No domingo de manhã acordei aflita, à procura de um espelho. Eu tinha de me ver, tinha de confirmar antes de voltar à realidade. Porquê? Sonhei que andava a correr pela estação de metro do Marquês, enquanto sentia um calor estranho a subir-me pela cara. Toquei-a no lado esquerdo e foi aí que vi: tinha-me nascido mesmo ali, de um vermelho cor de vinho, uma orelha de porco. E toda a minha preocupação, durante o resto do sonho, consistiu em saber como raio ia esconder o meu lado mutante para poder ir trabalhar.
Alguém me empresta Freud pa descortinar isto?
Alguém me empresta Freud pa descortinar isto?
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