Monday, November 2, 2009

Sabem aquele género de mulher que é exigente até dizer chega,

Sabem aquele género de mulher que é exigente até dizer chega, que nunca se contenta com as coisas como elas são e acha que pode fazer sempre melhor? Que os outros podem fazer sempre melhor? Que é perfeccionista e picuínhas? Que sabe do seu valor e que por isso mesmo se julga no direito de querer ao lado dela alguém com doses equilibradas de sensibilidade, racionalidade, pragmatismo, cultura e sentido de humor? Que a respeite e ature todas as neuras, percebendo que às vezes o melhor mesmo é dar-lhe silêncio? Que, sendo dona do seu nariz, está habituada a desenrascar-se sozinha, a pensar sozinha, a fazer tudo sozinha e que por isso mesmo não percebe a coisa de lhe quererem levar os sacos do super, mas que depois fica fodida se, ao entrar no prédio, não têm a delicadeza de a deixar passar em primeiro lugar? Que gosta muito do seu espaço e que depois reclama e cobra dos abraços e dos beijos que não recebeu? Aquela mulher que não vai na onda de enviar constantemente mensagens e de telefonar porque isso é ser cola e ela é independente, mas que fica chateada e triste se não lhe respondem num período razoável de tempo? Que adora ser livre, mas ter uma asa amarrada? Que prefere tascas a restaurantes caros, mas que não se importa mesmo nada que a levem a jantar a um sítio perto do mar, e que lhe dêem flores e dancem com ela? Que abomina lamechices e afinal o que mais gosta é de receber poemas de amor, cartas de amor, mails de amor, bilhetinhos de amor? Que peita muita coisa com indiferença e petulância, quando afinal é uma mariquinhas pé-de-salsa que só quer mimos e bilhetes (de amor) daqueles bons de guardar em caixinhas de madeira? Que acaba a noite a ler coisas que escreveu e nunca mandou para quem gosta, por vergonha do ridículo?
É aquele género de mulher que acha que escrevendo de forma distanciada sobre um determinado tipo de mulher, os outros não vão perceber que ela está a falar dela mesma. Porque o que ela quer no fundo é que percebam. Mas que não lho digam.

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