Saturday, November 7, 2009

Sem auto-comiseração


Era tarde e eu não vinha exactamente bem, mas estava quase a chegar a casa. Fui mandada parar pela BT: documentos, a conversa do costume, o carro revistado e mandam-me sair para eu ver que tenho o médio esquerdo fundido. Empenhadíssimos no seu trabalho, ficam-me com o livrete e tal e dizem-me que tenho uma semana para arranjar a avaria e depois ir à esquadra mostrar "a viatura reparada". Enquanto escreviam o testamento punitivo das leis e das regras em que falhei, volto para dentro e ouço o Elton John a cantar "Sorry seems to be the hardest word". Desmanchei-me a chorar, puta do sentido de timing, porque eu bem que a usei e não adiantou de nada. Menina, então 'tá a chorar por causa duma coisa destas? Não vale a pena.
Na primeira visita à esquadra, volto de mãos a abanar - ali só se trabalha das nove às cinco e a pessoa que tem a chave do armário dos documentos não está. E anda o meu irmão a trabalhar na Tanzânia, achando que a civilização é aqui. Pois sim. No segundo round, tudo nos conformes, luzes a funcionar, passa para cá as minhas coisas mas sabe que vai ser multada na mesma? Vou o quê, senhor agente? Mas então eu não cumpri o que me foi pedido? Cumpriu, mas diz a lei que não pode circular assim e que por isso tem de pagar uma coima. Vai chegar-lhe a casa, dentro de uns dias. Bato a porta do carro com mais força ainda que o normal e rio-me da merda que é a conjugação cósmica por que tenho passado. Se eu quisesse aplicar esta história idiota à minha vida, a moral seria exactamente a mesma: falho, e tento solucionar para cumprir, mas saio na maior parte das vezes a pagar. E a perder.

0 comments:

Post a Comment